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Foi feito por IA? 10 sites para detectar textos, fotos e vídeos

Conheça ferramentas que ajudam a identificar textos, fotos, vídeos e áudios criados por IA e entenda limites e cuidados.

Rodrigo Neves · · 13 min de leitura

A evolução da inteligência artificial generativa criou um problema que tende a ficar cada vez maior: como saber se determinado conteúdo foi produzido por uma pessoa ou por uma IA?

Há poucos anos, imagens produzidas por inteligência artificial entregavam facilmente sua origem. Mãos deformadas, textos ilegíveis, objetos impossíveis e rostos artificiais eram pistas relativamente óbvias.

Isso mudou.

Modelos atuais já produzem fotografias extremamente realistas, vídeos com física e movimentos convincentes, vozes praticamente indistinguíveis das originais e textos que podem reproduzir estilos de escrita específicos.

Ao mesmo tempo, surgiu um novo mercado: o dos detectores de conteúdo gerado por inteligência artificial.

Existem hoje ferramentas capazes de analisar textos, imagens, vídeos e áudios procurando padrões estatísticos, características dos pixels, inconsistências entre frames, assinaturas deixadas pelos modelos generativos, alterações faciais, padrões de voz e até informações de procedência incorporadas ao arquivo.

Mas existe uma ressalva fundamental: detectar IA não é o mesmo que provar que algo foi produzido por IA.

Uma pesquisa publicada em 2025 (Can we trust academic AI detective? Accuracy and limitations of AI-output detectors, publicada na revista científica Acta Neurochirurgica, da Springer Nature) avaliou ferramentas de detecção sobre 1.000 textos acadêmicos e encontrou desempenho de moderado a alto, mas nenhuma das soluções atingiu 100% de confiabilidade. Os pesquisadores alertaram especialmente para o risco de falsos positivos.

Isso significa que essas plataformas devem ser utilizadas como ferramentas de apoio à investigação, e não como máquinas capazes de determinar autoria com certeza absoluta.

A seguir estão algumas das principais soluções disponíveis atualmente.

Hive AI Detection

Qualidade geral: ★★★★★

A Hive é uma das plataformas mais completas quando o assunto é detecção multimodal de inteligência artificial.

Ela possui modelos específicos para analisar texto, imagens, vídeos e áudio. Sua tecnologia pode ser utilizada por meio de APIs, o que torna a solução especialmente interessante para plataformas digitais, marketplaces, publishers, redes sociais e empresas que precisam analisar grandes volumes de conteúdo automaticamente.

No caso de imagens e vídeos, a plataforma não se limita a indicar simplesmente se determinado conteúdo provavelmente foi criado por IA.

O sistema possui uma segunda camada de classificação que tenta identificar qual família de gerador pode ter produzido aquele conteúdo.

Entre os modelos reconhecidos estão ferramentas e famílias como Sora, Kling, Runway, Midjourney, Stable Diffusion, Adobe Firefly, Flux, GPT Image, Veo e diversas outras.

Isso é particularmente interessante porque acrescenta contexto à análise. Em vez de apenas retornar "IA", a plataforma consegue procurar características específicas deixadas por diferentes modelos generativos.

Na análise de áudio, por exemplo, a Hive divide o arquivo em segmentos de dez segundos e retorna probabilidades individuais para cada trecho.

Melhor uso: empresas, publishers, plataformas, moderação de conteúdo e aplicações que precisam de API.

Acessar Hive


Reality Defender / RealScan

Qualidade geral: ★★★★★

A Reality Defender possui uma proposta um pouco diferente. Seu foco principal está em deepfakes, manipulação de mídia e análise forense digital.

A ferramenta RealScan permite enviar imagens, vídeos, áudios e documentos para análise. Em vez de trabalhar apenas com uma classificação binária de verdadeiro ou falso, o sistema apresenta indicadores de manipulação e um Manipulation Probability Score, que classifica o risco identificado.

Outro diferencial é o uso de múltiplos modelos de detecção.

Segundo a empresa, diferentes modelos analisam o mesmo conteúdo e cruzam seus resultados. Isso é importante porque técnicas diferentes de geração artificial deixam rastros diferentes.

Um deepfake facial, por exemplo, exige uma análise diferente daquela necessária para identificar uma voz clonada.

A Reality Defender também trabalha com análise temporal e espacial de vídeos, alterações faciais e conteúdo de áudio sintético.

É uma solução com posicionamento mais voltado para empresas, governos, áreas de compliance, segurança e investigações, em vez de simplesmente alguém querendo verificar rapidamente uma imagem recebida pelo WhatsApp.

Melhor uso: deepfakes, fraude, segurança, investigação e verificação profissional de conteúdo.

Acessar Reality Defender


Copyleaks

Qualidade geral: ★★★★½

O Copyleaks ficou conhecido principalmente por sua tecnologia de detecção de textos produzidos por inteligência artificial e por ferramentas de verificação de plágio.

Hoje, porém, a empresa está ampliando sua atuação para uma abordagem multimodal, envolvendo texto, imagem, vídeo e áudio.

Para textos, a plataforma analisa padrões linguísticos e estatísticos procurando características associadas a modelos como ChatGPT, Claude e Gemini.

Um ponto importante para quem trabalha no mercado brasileiro é o suporte ao português.

O próprio Copyleaks publica benchmarks separados por idioma. No caso do português, a empresa informa taxas diferentes para identificação de conteúdo humano e conteúdo gerado por IA. Esses números são métricas declaradas pelo fornecedor e não devem ser interpretados como garantia para qualquer texto submetido ao sistema.

Na análise de vídeo, o Copyleaks pode analisar simultaneamente a camada visual e o áudio, além de indicar em quais momentos da timeline aparecem sinais associados à inteligência artificial.

Isso o transforma em uma opção bastante interessante para empresas que procuram uma única plataforma para diferentes formatos.

Melhor uso: textos em português, conteúdo editorial, educação, empresas e ambientes que precisam combinar diferentes modalidades.

Acessar Copyleaks


AI or Not

Qualidade geral: ★★★★½

O próprio nome explica a proposta: AI or Not tenta responder se determinado conteúdo foi ou não produzido por inteligência artificial.

Mas a plataforma já ultrapassou bastante a análise básica de imagens.

Atualmente ela possui recursos para imagens, deepfakes, textos, vídeos, voz e música criada por IA.

Na análise de imagens, um ponto interessante é que o sistema trabalha diretamente com informações presentes nos pixels.

Isso significa que sua detecção não depende exclusivamente de metadados, EXIF, marca d'água ou Content Credentials. Dessa forma, simplesmente remover os metadados de uma imagem não necessariamente elimina os sinais utilizados pelo detector.

A empresa informa cobertura para modelos como Midjourney, Stable Diffusion, Flux, GPT Image, Adobe Firefly, Ideogram e outros.

Em vídeo, a solução também analisa frames e o componente de áudio.

A plataforma possui ainda API, tornando possível incorporar esse tipo de verificação dentro de outros produtos digitais.

Melhor uso: análise rápida de diversos tipos de conteúdo e integração por API.

Acessar AI or Not


Sightengine

Qualidade geral: ★★★★½

A Sightengine é bastante conhecida no mercado de moderação automatizada de imagens e vídeos e passou a incorporar modelos específicos para detecção de conteúdo produzido por inteligência artificial.

Sua abordagem é particularmente interessante para desenvolvedores.

Na análise de imagens, o sistema examina diretamente o conteúdo visual e os pixels, sem depender dos metadados presentes no arquivo.

A plataforma identifica sinais associados a geradores como Stable Diffusion, Midjourney, Flux, Firefly, GPT Image, Imagen e outros.

Para vídeos, a Sightengine também consegue analisar conteúdo produzido por ferramentas como Sora, Veo, Kling, Runway e Pika.

Outro recurso interessante é o retorno de scores específicos para diferentes geradores.

Isso significa que uma integração pode receber algo semelhante a uma probabilidade geral de IA acompanhada de probabilidades relacionadas aos possíveis modelos utilizados.

Sua grande vantagem está na possibilidade de incorporar a análise diretamente em aplicações, CMSs, plataformas de publicação ou sistemas de moderação.

Melhor uso: APIs, moderação automática, plataformas e análise em escala de imagens e vídeos.

Acessar Sightengine


Originality.ai

Qualidade geral: ★★★★½

O Originality.ai nasceu com forte posicionamento para publishers, produtores de conteúdo, agências, profissionais de SEO e operações editoriais.

Seu principal recurso continua sendo a detecção de texto criado por modelos generativos.

A ferramenta retorna uma probabilidade indicando se considera determinado conteúdo provavelmente original ou provavelmente produzido por IA. Ela também consegue destacar trechos e sentenças que contribuíram para aquela classificação.

A própria empresa reconhece um ponto que deveria valer para qualquer detector: a pontuação deve ser utilizada como um sinal, e não isoladamente para uma decisão de alto impacto.

Em 2026, a plataforma também passou a disponibilizar um detector de imagens geradas por IA.

Ele permite enviar uma imagem, utilizar uma URL e receber uma análise sobre a probabilidade de aquela imagem possuir origem artificial.

Por sua origem e posicionamento, continua sendo uma das ferramentas mais interessantes para organizações que precisam analisar principalmente conteúdo editorial e textual.

Melhor uso: publishers, SEO, marketing de conteúdo, redações, agências e revisão editorial.

Acessar Originality.ai


GPTZero

Qualidade geral: ★★★★½

O GPTZero é provavelmente um dos nomes mais conhecidos quando falamos especificamente de detecção de textos produzidos por grandes modelos de linguagem.

A plataforma surgiu fortemente associada ao mercado educacional, mas atualmente também atende publishers, empresas, recrutadores e profissionais de conteúdo.

O detector possui suporte declarado para inglês, alemão, francês, espanhol e português e analisa conteúdos produzidos por diferentes famílias de modelos, incluindo ChatGPT, Gemini, Claude, Llama e DeepSeek.

Um dos pontos interessantes da plataforma é a possibilidade de analisar não apenas o documento inteiro, mas também partes específicas consideradas mais compatíveis com geração por IA.

O GPTZero também possui extensão para navegador e mecanismos capazes de registrar o processo de escrita de um documento, oferecendo uma abordagem adicional à simples tentativa de detectar padrões estatísticos no texto final.

Isso toca em um ponto importante: no futuro, comprovar o processo de criação pode ser mais confiável do que tentar descobrir a origem de um conteúdo depois de pronto.

Melhor uso: textos, educação, produção editorial, recrutamento e verificação de autoria.

Acessar GPTZero


Winston AI

Qualidade geral: ★★★★

A Winston AI combina duas frentes interessantes: detecção de texto e análise forense de imagens.

Para textos, a plataforma retorna uma pontuação de 0 a 100 relacionada à probabilidade de o conteúdo ter origem humana ou artificial e também pode apresentar análises por sentença.

Sua área de imagens merece atenção porque combina diferentes sinais.

Além de procurar características relacionadas a imagens criadas por ferramentas como Midjourney, ChatGPT Image, Stable Diffusion e outras, o sistema pode apresentar informações relacionadas a EXIF, IPTC e C2PA quando disponíveis.

Isso cria uma abordagem interessante: não depender apenas de um modelo tentando "adivinhar" a origem da imagem, mas combinar detecção probabilística com informações forenses e de procedência.

Essa combinação tende a ser cada vez mais importante.

Melhor uso: textos, imagens e análises em que metadados e informações de procedência também sejam relevantes.

Acessar Winston AI


Scribbr AI Detector

Qualidade geral: ★★★★

A Scribbr possui uma ferramenta de detecção voltada principalmente para textos acadêmicos, estudantes, professores e revisão de documentos.

Ela é mais simples do que algumas das plataformas enterprise apresentadas anteriormente, mas pode funcionar muito bem como uma segunda opinião.

O aspecto mais interessante talvez seja a própria postura da empresa em relação à tecnologia.

Em material publicado em agosto de 2026, a Scribbr afirma explicitamente que softwares de detecção de IA devem ser tratados como pontos de referência e não como evidência conclusiva sobre como um texto foi produzido.

Essa é provavelmente a postura mais adequada para qualquer organização que pretenda adotar esse tipo de tecnologia.

Um detector pode indicar uma anomalia. Cabe ao processo de verificação avaliar o contexto.

Melhor uso: textos acadêmicos e uma segunda análise complementar a outros detectores.

Acessar Scribbr AI Detector


Content Credentials / C2PA

Qualidade para comprovação de procedência: ★★★★★

Aqui existe uma diferença fundamental.

Content Credentials não é exatamente um detector de inteligência artificial.

E justamente por isso pode representar uma das abordagens mais importantes para o futuro.

Em vez de olhar para um arquivo pronto e tentar descobrir estatisticamente se ele foi criado por inteligência artificial, o padrão C2PA permite incorporar ao conteúdo informações verificáveis sobre sua origem e histórico de edição.

É uma espécie de cadeia de procedência digital.

Quando Content Credentials estão presentes, é possível verificar informações como ferramenta utilizada, alterações realizadas, assinatura do conteúdo e outros dados relacionados ao processo de criação.

O sistema pode trabalhar com imagens, vídeos, áudios e até documentos PDF.

Isso muda completamente a lógica.

Em vez de perguntar:

"Este detector acha que esta foto foi produzida por IA?"

podemos começar a perguntar:

"Qual é a procedência verificável desta foto?"

É uma mudança de paradigma importante.

Porém, existe uma limitação: se o arquivo não possui Content Credentials, sua ausência não significa automaticamente que seja falso ou produzido por IA.

O próprio sistema de verificação informa que muitos conteúdos ainda não possuem essas informações, já que a tecnologia continua em processo de adoção.

Melhor uso: verificar procedência, histórico de edição e autenticidade quando Content Credentials estiverem presentes.

Acessar Content Credentials

Verificar um arquivo no Content Credentials Verify


Comparativo das ferramentas

Ferramenta Texto Imagem Vídeo Áudio Principal característica
Hive Sim Sim Sim Sim Detecção multimodal e identificação do possível gerador
Reality Defender Limitado Sim Sim Sim Deepfake e análise forense
Copyleaks Sim Sim Sim Sim Ecossistema multimodal e forte atuação em texto
AI or Not Sim Sim Sim Sim Detecção multimodal rápida e API
Sightengine Não é foco Sim Sim Não é foco API para análise de imagens e vídeos
Originality.ai Sim Sim Não Não Publishers, SEO e produção editorial
GPTZero Sim Não Não Não Detecção de textos e processo de escrita
Winston AI Sim Sim Não Não Texto + análise forense de imagens
Scribbr Sim Não Não Não Textos acadêmicos
Content Credentials Não Sim Sim Sim Procedência e histórico do conteúdo

Afinal, esses detectores são confiáveis?

Essa é provavelmente a pergunta mais importante.

A resposta é: eles são úteis, mas não infalíveis.

Detectores de texto procuram padrões associados à escrita produzida por modelos de linguagem. O problema é que esses padrões podem mudar quando um texto é editado, traduzido, reescrito ou combinado com conteúdo humano.

Uma pesquisa publicada em 2025 demonstrou justamente que o desempenho de detectores tende a cair quando textos produzidos por LLMs são posteriormente parafraseados por pessoas.

Outro estudo analisando textos acadêmicos concluiu que, embora as ferramentas conseguissem diferenciar conteúdo humano e artificial com desempenho relevante, nenhuma conseguiu atingir confiabilidade absoluta.

Com imagens e vídeos acontece algo semelhante.

Compressão, edição, recorte, screenshots, recomposição do conteúdo e evolução dos próprios modelos generativos podem alterar os sinais que determinado detector procura.

Por isso, o erro está em transformar:

"95% de probabilidade de IA"

em:

"temos certeza de que foi feito por IA".

São afirmações completamente diferentes.

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