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Mercado digital precisa ampliar sua voz em Brasília

Rodrigo Neves e Vinicius Marchese discutem representação do mercado digital e diálogo com o poder público.

Redação Instituto · · 7 min de leitura

Neste domingo, 20 de setembro de 2026, Rodrigo Neves, presidente do Instituto da Maturidade Digital e fundador e VP de Relações Institucionais da AnaMid — Associação Nacional do Mercado e Indústria Digital — reuniu-se com Vinicius Marchese Marinelli, candidato a deputado federal por São Paulo nas eleições de 2026 pelo PSD. (5588).

A aproximação foi realizada por intermédio de Leandro Ogalha, CEO da Hyper Data Studio, Presidente da AnaMid Santa Catarina e parceiro do Instituto da Maturidade Digital.

O centro da conversa, porém, foi muito além do processo eleitoral. A discussão partiu de uma questão que tende a permanecer relevante independentemente de partidos, governos ou mandatos: como criar um diálogo mais consistente entre o mercado digital brasileiro e o poder público?

O mercado digital, quando comparado a setores tradicionais da economia, ainda é relativamente jovem. E, mesmo assim, já passou por diferentes ciclos de transformação. Internet, mecanismos de busca, redes sociais, smartphones, e-commerce, computação em nuvem, mídia programática, creator economy, dados, automação e, mais recentemente, inteligência artificial e agentes de IA mudaram sucessivamente a maneira como empresas operam, pessoas trabalham e consumidores se relacionam com marcas e serviços.

Em muitos casos, as profissões, os modelos de negócio e as próprias tecnologias evoluem mais rapidamente do que as estruturas criadas para classificá-los, compreendê-los ou regulá-los.

Esse é um dos pontos centrais da agenda institucional que a AnaMid vem estruturando. A entidade considera necessário ampliar o diálogo entre mercado, sociedade, Congresso Nacional e Poder Executivo, criando condições para que empresas e profissionais que vivem diariamente as transformações digitais possam participar tecnicamente das discussões que impactam o setor.

A proposta é que essa interlocução seja baseada em dados, pesquisas, notas técnicas, especialistas, estudos de impacto e propostas concretas, evitando que a participação do setor aconteça apenas quando uma legislação ou decisão regulatória já esteja praticamente definida.

Para Rodrigo Neves, esse diálogo precisa se tornar parte da maturidade do próprio mercado digital.

“Não podemos procurar Brasília apenas quando aparece um problema ou uma regulamentação que nos preocupa. O mercado digital precisa aprender a participar da construção das pautas desde o início, levando dados, estudos e a experiência de quem está operando esse ecossistema todos os dias. Precisamos construir pontes permanentes entre quem transforma o mercado e quem formula políticas públicas.”

Uma agenda que vai muito além de tecnologia

A pauta é ampla.

Inteligência artificial, proteção de dados, publicidade digital, plataformas, direitos autorais, comércio eletrônico, tributação, concorrência e segurança digital são exemplos de temas que podem gerar impactos diretos sobre empresas, profissionais e consumidores.

Por isso, uma das propostas apresentadas pela AnaMid é estabelecer um canal permanente de interlocução com o Congresso Nacional, envolvendo acompanhamento de projetos de lei, elaboração de notas técnicas, participação em consultas e audiências públicas, reuniões institucionais, estudos e grupos técnicos especializados.

Outras frentes envolvem questões muito práticas que ainda precisam amadurecer no Brasil, como a identificação econômica das empresas digitais por meio da CNAE, a evolução da Classificação Brasileira de Ocupações diante do surgimento de novas profissões, a produção de indicadores econômicos sobre o setor e as discussões envolvendo inteligência artificial, direitos autorais, transparência, dados e responsabilidade.

A questão central é simples: se o mercado mudou, a forma como ele se relaciona com as estruturas públicas também precisa mudar.

Por que estabelecer esse diálogo com Vinicius Marchese?

A aproximação institucional com Vinicius Marchese está relacionada, segundo Neves, principalmente à sua trajetória técnica e à experiência com processos de transformação e modernização dentro do Sistema Confea/Crea.

Marchese é engenheiro de telecomunicações, formado pela Universidade de Taubaté, e construiu sua trajetória no Sistema Confea/Crea. Foi presidente do Crea-SP e posteriormente assumiu a presidência do Confea. Em julho de 2026, foi reeleito para comandar o Conselho Federal no mandato de 2027 a 2029.

Sua passagem pelo Crea-SP também esteve associada a uma agenda explícita de transformação digital. O próprio Crea-SP registra uma estratégia baseada em gestão transparente e colaborativa, fiscalização digital, serviços mais ágeis, capacitação e conexão com empresas e governo. Entre as iniciativas daquele processo estavam novas plataformas digitais, digitalização de serviços e maior utilização de dados e tecnologia na gestão.

Posteriormente, já no Confea, sua atuação institucional também passou a incluir iniciativas ligadas à inovação, plataformas digitais e modernização de processos.

Para Neves, é justamente esse histórico que cria espaço para uma conversa técnica sobre transformação digital e políticas públicas.

Não se trata de transformar a pauta do mercado digital em uma pauta partidária. Trata-se de identificar interlocutores que compreendam que tecnologia não é mais apenas um departamento das empresas: é infraestrutura econômica, social e produtiva.

Maturidade digital também precisa entrar na agenda pública

A discussão também se conecta ao trabalho desenvolvido pelo Instituto da Maturidade Digital, liderado por Rodrigo Neves.

Entre as iniciativas que estão sendo estruturadas está o Programa Nacional do Selo Brasileiro de Maturidade Digital, proposta que pretende criar uma referência brasileira para avaliar, orientar e reconhecer a evolução digital de empresas, organizações e instituições públicas. O projeto considera fatores como estratégia, dados, experiência, processos, cultura, inovação, colaboração e presença digital — e parte da premissa de que simplesmente adotar tecnologia não significa necessariamente possuir maturidade digital.

A própria proposta defende que temas como inteligência artificial, proteção de dados, cibersegurança, acessibilidade, capacitação profissional, inovação e competitividade sejam tratados de maneira integrada dentro de uma agenda nacional de desenvolvimento digital.

Mais uma vez, o ponto central é construir pontes entre mercado, academia, especialistas, sociedade e poder público.

O mercado digital precisa aprender a ocupar esse espaço

Durante muitos anos, parte significativa do mercado digital concentrou sua energia em acompanhar plataformas, tecnologias, algoritmos, comportamento dos consumidores e novos modelos de negócio.

Mas o crescimento desse ecossistema traz uma nova responsabilidade: participar também das discussões institucionais que podem definir os próximos anos desse mercado.

Isso não significa defender mais ou menos regulação por princípio. Significa defender regulação mais informada, políticas públicas baseadas em evidências e decisões construídas com a participação de quem conhece tecnicamente os mercados impactados.

E essa interlocução não pode existir somente em ano eleitoral.

A própria agenda apresentada pela AnaMid estabelece que esse movimento não deve começar nem terminar nas eleições de 2026. Novas tecnologias continuarão surgindo, novas profissões serão criadas e novos modelos econômicos continuarão colocando questões diante do Congresso e do Executivo. Por isso, a proposta é construir uma relação permanente entre quem produz inovação e quem formula políticas públicas.

Para Rodrigo Neves, esse talvez seja um dos próximos passos de maturidade do próprio ecossistema digital brasileiro:

“Ter voz em Brasília não é uma questão partidária. É uma questão de representação institucional. Se uma decisão pode impactar milhares de empresas e profissionais do mercado digital, precisamos estar preparados para participar dessa conversa com dados, conhecimento técnico e propostas. O mercado digital amadureceu. A nossa capacidade de diálogo institucional também precisa amadurecer.”

Porque um mercado que se transforma tão rapidamente não pode ficar distante dos lugares onde são discutidas as regras que irão impactar o seu futuro.

Para conhecer mais sobre Vinicius Marchese:

Site: https://viniciusmarchese.com.br/

Instagram: https://www.instagram.com/viniciusmarchese

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